O QUE PODEMOS APRENDER COM STEPHEN KING?

Carrie (a estranha), O Iluminado, It (A Coisa), À Espera de um Milagre, Saco de Ossos, Cemitério Maldito, Misery (Louca Obsessão), Christine (O Carro Assassino), Conta Comigo, Sob a Redoma e vários outros livros foram escritos pelo grande autor, Stephen King.

Neste artigo vamos conversar um pouco sobre algumas lições que este autor pode nos dar, ente elas:

– Como ter grandes chances de ser o autor de mais de cinquenta best-sellers no mundo inteiro;

– Como lidar com as críticas ferrenhas dos falsos puritanos;

– Como escrever em situações extremas (como por exemplo, durante a recuperação de um acidente que quase lhe matou).

 

COMO SER UM AUTOR?

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Escreva muito e leia muito.

Televisão, Netflix, Animes e etc. não são o suficiente. Você quer escrever livros ou histórias em quadrinhos, não é? Então leia livros e histórias em quadrinhos!

Isso fará com que você acabe “copiando” o estilo dos seus autores favoritos, e não há nada de errado com isso. Este é o processo natural de todos que desejam se tornar autores.

Funciona tanto na escrita, quanto na arte. Ao iniciar o treinamento no desenho, costumamos fazer cópias das obras que gostamos, e aos poucos criamos o nosso próprio estilo.

Enquanto estiver lendo perceberá o estilo de cada autor, descobrirá o que diferencia uma grande obra das outras, conseguirá vislumbrar o que você pode fazer, quais são as possibilidades.

Não se prenda a um único gênero ou estilo, leia de tudo.

E sem essa de que não tem tempo para ler. Se você não tem tempo para ler, não terá tempo para escrever.

 

DESCOMPLICA

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Esqueça as palavras complicadas, não precisa mostrar toda a sua grandiosidade e domínio na arte da escrita e de quebra dificultar a vida do seu leitor. Não tenha vergonha de usar as palavras comuns, sem firulas.

Use a primeira palavra que vier à sua cabeça, caso ela se encaixe bem, e claro. Não pense muito naquela palavra, não busque outras palavras mais rebuscadas.

“Na maioria das vezes, os leitores não são atraídos pelos méritos literários de um romance; eles querem uma boa história para levar consigo no avião, algo que primeiro os fascine, depois os impulsione e os mantenha virando as páginas”.

Stephen King

 

DEIXE O TEXTO DINÂMICO

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Quer evitar que o seu leitor largue a sua obra e vá fazer outras coisas?

Evite a voz passiva.

Na “voz passiva” algo está sendo feito para o sujeito da frase.

Na “voz ativa” o sujeito da frase toma a atitude.

Exemplo:

Voz ativa: O homem inventou a roda.

Voz passiva: A roda foi inventada pelo homem.

Deixar a “voz passiva” de lado, fará com que a leitura seja agradável.

Esqueça os advérbios.

Elimine o máximo possível de palavras que terminem em “mente”.

Achou que estou demasiadamente exagerando neste ensinamento?

Acredita que advérbios podem ser aproveitados constantemente?

Que farão o seu texto ser aplaudido incessantemente?

E por não acreditar neste artigo continuará a usá-los veemente?

Sério, vai por mim, você não irá se arrepender de tirar isso da sua vida.

Costumamos usar os advérbios para reforçar um acontecimento, temos medo de que o leitor não entenda tudo o que queremos transmitir, por exemplo.

“Marcos fechou a porta bruscamente.

– Por favor, não vá embora! – Maria fala tristemente.

– Não me ligue mais – Marcos grita furiosamente”.

Tente mostrar que Marcos está com raiva de Maria e que Maria está arrependida construindo ações que levem o leitor a acreditar nisto.

“Marcos fechou a porta.

– Por favor, não vá embora! – Maria fala, uma lágrima escorre pelo seu rosto.

– Não me ligue mais. – Marcos não olha para trás, entra no carro, e vai embora”.

 

ENCONTRE O EQUILÍBRIO NA DESCRIÇÃO

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Cuidado, descrever demais alguma cena fará com que o seu texto fique cansativo. Ninguém quer saber sobre o vaso centenário que decora a sala, eles querem saber o que vai acontecer com a heroína enquanto ela procura as provas antes que o advogado volte do banheiro.

Da mesma forma, se você descrever pouco, o seu leitor ficará perdido. O essencial é encontrar o equilíbrio.

 

NÃO TENHA MEDO DE USAR O NECESSÁRIO NOS DIÁLOGOS

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Não use “que droga” ao invés de “merda” se o seu personagem for o dono de um bar de classe média baixa e limpa o vomito de mais um bêbado do assoalho.

Torne os diálogos verdadeiros, use algo que a sua personagem falaria e não suavize por algo politicamente correto.

Ninguém é politicamente correto cem por cento do tempo, vai me dizer que o senhor perfeitinho não xinga depois de bate o dedinho na quina de uma cômoda?

E para criar diálogos verdadeiros você deve escutar. Prestar atenção nas pessoas, prestar atenção em como elas se comunicam.

 

COMO CRIAR PERSONAGENS PROFUNDOS

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“O trabalho se resume a duas coisas: prestar atenção ao comportamento das pessoas reais à sua volta e dizer a verdade sobre o que vê”.

Stephen King

 

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A FORMULA 2ª VERSÃO = 1ª VERSÃO – 10%

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Ao terminar o seu livro/roteiro você tem a primeira versão da sua história. Chegou a hora de revisar todo o texto, eliminar os advérbios, palavras complicadas e partes desnecessárias.

Exclua as partes que não fazem sentido no andamento da sua história, mesmo que ela tenha ficado incrível, mesmo que você ame esta parte.

“Experimente qualquer coisa que quiser, não importa se parece normal demais ou ultrajante demais. Se funcionar, ótimo. Se não, jogue fora. Jogue fora mesmo que você adore. Sir Arthur Quiller-Couch disse uma vez: “Matem seus queridinhos”. E ele estava certo”.

Stephen King

 

METAS E PRODUTIVIDADE

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Escolha um lugar tranquilo para escrever, um local onde você não será incomodado. Se desligue do mundo externo para criar o seu próprio mundo. Isso significa esquecer o celular, o computador, a internet, etc.

Crie uma rotina, reserve um horário para o processo de escrita. Uma, duas, três horas que você se dedicará a escrever.

Defina uma meta de caracteres, por exemplo, 500 caracteres por dia, e aumente aos poucos. O Stephen costuma escrever 2.000 caracteres por dia, leva cerca de 3 meses para terminar um livro, nada mal, não é mesmo?

 

HORA DE ABRIR AS PORTAS!

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Depois que escrever a primeira versão do seu roteiro/livro, guarde-o. Esqueça-o por cinco semanas antes de reler.

Ao ler o texto depois de ter se desconectado daquele universo, você perceberá algumas falhas e acertos, terá uma visão mais crítica, a visão de um leitor.

Em seguida, escolha seis pessoas em quem você confia e peça para que ela leia a sua obra e opine. Escolha aqueles que não vão amaciar na hora de dizer o que acharam.

Analise os comentários que os seus primeiros leitores fizeram, estude-os e veja se eles acrescentarão à sua obra. Claro que nem todos os comentários são relevantes, mas tome cuidado, se as seis pessoas falaram que aquela determinada parte não ficou bem explicada, o problema está na sua obra, não nos leitores.

 

RESPONDA ESTAS PERGUNTAS

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A história é coerente?

Quais são os elementos recorrentes?

Eles se entrelaçam e formam trama?

Do que a história trata?

O que posso fazer para tornar estas questões fundamentais ainda mais claras?

 

 

ÚLTIMA DICA

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Leia muito, escreva muito, pratique e divirta-se!

 

Descubra mais sobre o Stephen King lendo o livro Sobre a Escrita. Obra publicada aqui no Brasil pela editora Suma de Letras. Além de aprendermos lições valorosas, este livro nos conta um pouco sobre a rotina do autor e a sua formação como escritor. Confira o que achamos do livro no vídeo abaixo:



Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.