ENTREVISTA COM RAPHA PINHEIRO, AUTOR DE SALTO

Era uma vez uma cidade onde todos eram feitos de fogo. Um dia começou a chover e o povo da cidade fugiu para as cavernas onde se perderam e terminaram por construir uma nova cidade.

O livro conta a história de Nu, um dos habitantes dessa cidade subterrânea e como um acidente pode mudar sua vida e de todos que moram lá.

Como uma fantasia totalmente Steampunk, Salto é um livro que aborda temas complicados como abuso de poder e preconceito através de uma história dinâmica e cheia de ação. Ela pode ser lida como uma reinterpretação do Mito da Caverna de Platão e como as pessoas interagem com o desconhecido que transborda sua zona de conforto.

O livro possui 90 páginas de história colorida e foi escrito e desenhado na França com a orientação de professores e profissionais da área na Ecole Européenne Supérieur de l’Image em Angoulême. Depois de oito meses de produção, Salto ficou pronto e agora vai ser lançado no Brasil.

Criado para ser lido em duas camadas, o leitor pode apreciar a história como uma simples aventura repleta de máquinas steampunk e cenas de ação, mas também pode analisar num nível mais simbólico e fazer todas as relações com filosofia e política que o livro sutilmente (ou nem tanto) aborda.

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O Autor

Rapha Pinheiro

Arquiteto do Rio de Janeiro, Rapha começou a desenhar quadrinhos em 2014. Nesse mesmo ano, foi estudar arquitetura na Inglaterra e começou a publicar seu primeiro trabalho, Os Tomos de Tessa de forma independente por lá. Em 2016 foi selecionado para fazer parte da primeira turma internacional de quadrinhos da Ecole Européenne Supérieur de l’Image em Angoulême na França onde foi morar e escreveu Salto. Também em Angoulême, Rapha criou um canal no Youtube (www.youtube.com/c/RaphaPinheiroHQ) sobre produção de quadrinhos e análises de obras para aqueles que querem se aprofundar mais nesse universo.

Atualmente ele trabalha fazendo quadrinhos e dando aula de desenho para crianças.

 

Para descobrir mais sobre Salto e sobre o Rapha, nós da Imperial HQs fizemos uma breve entrevista com o autor! Confira!

 

Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

Cara, depois desse tempo na França a minha cabeça se abriu pro quadrinho de lá. Eu posso citar Moebius como a inspiração maior pra qualquer coisa relacionada a quadrinhos, mas especificamente pro Salto eu gosto de citar o Chateau des Étoiles do Alex Alice. Eu fui na exposição do cara lá e vi os originais, a produção da coisa, e fiquei maravilhado. Posso dizer também que Cidades Obscuras do Schuiten e do Peeters foi olhado algumas vezes pra pensar na elaboração da arquitetura.

Uma referência meio inusitada são os video games. Tem muito de Banjo-Kazooie e Mario 64 no Salto!

 

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Salto?

A idéia do personagem veio de quando eu estava brincando de fazer games lá em 2012. O personagem padrão da Engine que eu usava (Unity) e o sistema de partículas me inspiraram a fazer o rapaz esbelto com cabeça de fogo.

Já a cara steampunk do negócio veio do tempo que morei na Inglaterra. Na primeira semana que cheguei em Lincoln (a cidade do interior onde morei por um ano) tava rolando a feira steampunk da cidade. Eu fiquei maravilhado, lojas com vitrine steampunk, idosos de cosplay steampunk, até a catedral da cidade estava participando da brincadeira (pára o que você tá fazendo e dá um google na catedral de Lincoln pra entender o nível da parada. Você vai me agradecer depois). Eu precisava escrever um quadrinho com aquela ambiência! Acabou acontecendo…

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Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Salto?

Pois é, como eu estava morando na França só pra fazer isso, minha rotina era Salto direto. De 9 da manhã até umas 8 da noite, de segunda a sábado. Eu fui pra lá com minhas economias, não tinha muita grana pra sair, a cidade era pequena e não tinha muito o que fazer que não fosse relacionado a quadrinhos. O resultado foi que eu trabalhei direto no salto e consegui fechar um livro colorido de 90 páginas do roteiro ao pdf final em 8 meses =) Só parava pra beber vinho barato e orientar com os professores de lá.

 

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?

Leitores que não escrevam. Precisamos de consumidores e atualmente só consome quem produz. Isso gera uma bolha de nicho que não fura e não movimenta o mercado. Precisamos chegar nesses leitores em potencial e lembrar a eles que quadrinho é legal pra cacete hahahaha

 

Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?

Vai e faz. Mesmo que seja ruim. O importante é que você tente melhorar sempre. No inicio vai ser ruim, normal, mas você não pode parar de aprender. Se seu trabalho atual não é bem melhor que seu último, algo está errado.

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?

Eu to nas midias sociais todas, mas não uso todas com frequência hehehe

O jeito mais fácil é colar no canal do Youtube que eu posto religiosamente segunda, quarta e sexta. Tento responder todos os comentários (mesmo não conseguindo as vezes hehehe) então é fácil me achar lá. Mas eu sou super contra criar barreira com o público, se o cara quiser, vai me achar em qualquer lugar e eu vou trocar uma ideia. Se o papo for bom, vamos acabar numa mesa de bar hahahaha. Chega de torre de marfim dos artistas, somos gente que nem todo mundo!

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Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.