ENTREVISTA COM VALU VASCONCELOS, AUTOR DE MEGASÔNICOS

Megasônicos é uma história em quadrinhos nacional que se tornou uma animação! Olha só que legal!

 

 

Ficamos impressionados com o projeto, e para descobrir mais sobre a obra, o processo criativo e a pessoa por trás desta iniciativa, fizemos uma breve entrevista com o autor! Confira!

 

Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

Olá a todos, eu tenho 43 anos, então minha resposta é meio clichê…hehehehe. Eu aprendi a ler com a turma da Mônica antes de ir para a escola pelas mãos de minha mãe, e com isso fiquei muito tempo no mundo do Maurício de Souza, onde também copiei muito seus desenhos. Mas à medida que fui crescendo vieram, Frank Miller muito garoto ainda, Asterix me arrebatou fortemente com seu estilo único, e tudo mudou quando conheci Manara. Aquele estilo de desenho era o que eu carregaria por muitos anos. Dividindo a moradia no meu coração com os traços de Anime da rede Manchete.

 

 

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Megasônicos?

Megasônicos surgiu em 1998, junto com meu aprendizado na marra da computação gráfica. Assim que botei os primeiro polígonos juntos, tive a certeza que queria fazer um file de ficção cientifica, já que também era apaixonado por Star Wars desde meus 8 anos de idade, quando ganhei meu álbum de figurinha “O retorno de Jedi”, mas logo percebi que não era tão simples e tão barato na época, e eu também não possuía o conhecimento necessário. Porém não parei de tentar e evoluir. Até que em 2008 os primeiros testes se mostraram promissores, e foi quando fui convidado a produzir e dirigir a minha primeira série para TV chamada JARAU, que passa na tv Brasil como primeiro lugar na audiência em dois horários. Em 2010, pensei em produzir a série dos Megasônicos, mas o investimento era muito alto. Contudo eu não podia abandonar a ideia que havia evoluído muito desde seu nascimento em 1998. E foi então que o Mangá / HQ surgiu.

 Após várias pesquisas e orçamentos me deparei com a realidade editorial. Ela é cruel e não paga nada, ou quase nada ao autor. A contratação da distribuição também era algo impensável, tomando 50% à 60% do preço de cada, mais as multa caso não vendesse e também a taxa de recolhimento para as revistas encalhadas. Com esse panorama lindo e maravilhoso decidi partir para o mundo digital e lancei os volumes 1 e 2 em PDF e isso foi muito libertador, mas logo veio a bruta realidade do mercado nacional: O brasileiro não gosta de pagar, principalmente se for uma revista digital, e ainda mais nacional e desconhecida.

 Muito tempo de lamento passou e eu percebi algo poderoso: Não é o público que está errado, mas sim eu que não fazia o que as grande editoras faziam. E com isso comecei a fomentar o mercado, fazer parceiros, apresentar a mitologia para o público e com isso surgiu em 2016 o volume 3, mas dessa vez impresso, e agora com o sucesso perante aos fãs, será lançado nessa Bienal do Rio de Janeiro, o volume 4.

 

 

Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Megasônicos?

Para minha sorte, sou dono de um estúdio de animação e quadrinhos. O que facilita muito a minha vida. À pesar de ser um exercito de um homem só…hahahaha, mas sempre reveso entro os Jobs de publicidade, as produções de série do estúdio, e a produção dos meus quadrinhos, que agora vai passar a ser bimestral…. Medoooooooo ^_^

 

Qual foi a sensação de ver a sua história em quadrinhos na versão animada e como foi o processo criativo da animação?

A sensação é de pai babão…hehehehe. Não há como descrever de outra forma. Foi uma produção independente e totalmente bancada por mim. Desde os funcionários do estúdio que trabalhavam para mim na época até os dubladores de primeira linha, como Manolo Reis, Luiz Carlos Percy, Yan Gesteira, Mariana Torres e Luiz Sérgio Vieira, e eu mesmo dublei um dos personagens ( O pulsar ).
A produção foi cara, mas valeu a pena, pois também impulsionou o quadrinho nessa nova fase. O que também está gerando outros negócios, como palestras em eventos, vendas de camisas exclusivas do herói, e agora vai começar a ter outros produtos, como chaveiros personalizados em feltro.

 

 

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?

Talento nós temos, mas falta essa visão empreendedora. A maioria espera, e eu também esperava, que o público caísse de amores pelos meus personagens, comprassem meus quadrinhos e me deixassem rico…hehehehe, mas não é assim tão simples. Temos que apresen nosso universo para eles, divulgar constantemente, levar fisicamente com periodicidade onde quer que eles estejam à um preço competitivo. Resumindo, temos que fazer o que toda grande marca faz, mas com menos recursos.
Uma coisa que eu percebi, é que para o cliente não importa se é Marvel, DC, ou Valu Animation Comics. Se ele se encantar pelo universo, ele compra.

Já venci várias vezes a disputa contra Batman, Super Man e títulos famosos do Mangá. E isso não tem preço ^_^ … mas dá trabalho….hehehehe.

 

Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?

Sejam mais do que artistas, ou busque alguém para representa-los.

Sejam colaborativos e amigos com seus colegas de profissão, pois ninguém cresce sozinho…. Ahhhhh… e não espere ter uma campanha no Catarse para abordar e ter uma relação com os Blogs, pois eles se sentem usados… e com razão. Tenha um diálogo constante com eles, mande novidades, e perguntem como vocês podem ajuda-los a crescer também.
Todos crescendo juntos é beeeem mais legal.

 

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho? 

Vá direto ao site dos Megasônicos www.megasonicos.com.br , onde além de poder comprar a revista em quadrinhos, todos podem ver a mini Web Série totalmente de gratis, que conta a história dos volumes 1 e 2.

Espero poder fazer uma campanha de financiamento coletivo para fazer mais 22 minutos de animação dos Megas, que agora está mais intenso e os recursos técnicos e materiais do estúdios estão mais parrudos… Vai ser sensacional !

E quem quiser me ver produzindo ao vivo, pode acompanhar as minha Lives que faço nas segundas feiras às 22:45. Lá já fiz capas das revistas, animações, fiz tutoriais e muitas outras loucuras.

www.youtube.com/megasonicosBr



Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.