ENTREVISTA COM TALITA ABREU

A Talita Abreu é uma das artistas que estarão lançando seu SketchBook no evento SketchCon II promovido pela Editora Criativo.

SketchCon II será no dia 19 de novembro, das 11h às 18h, no Jazz Restô e Burgers (Largo Dona Ana Rosa, 33 – Vila Mariana, ao lado do Metrô Ana Rosa), em São Paulo/SP.

Marque presença no evento para conhecer a Talita e mais de 50 artistas que estarão autografando seus livros e pôsteres, e vendendo prints e artes originais.

 

 

Para conhecer mais sobre a artista e sobre o seu lançamento, realizamos uma breve entrevista. Confira!

 

Conte-nos sobre o que encontraremos no seu álbum.

Meu álbum vai ter muita aquarela porque existem épocas na minha vida que não sei fazer mais nada que não envolva essa tinta, parece um vício. Nos últimos dois anos me dediquei intensamente às pinturas, fui levada duas vezes para o Museu com elas, uma em uma exposição solo e outra coletiva, então eu não podia falar do meu trabalho sem colocar pinturas ali. Depois disso me apaixonei pelo meu sketchbook e me entreguei ao grafite, rabisquei muito, criei muito e deixei as ideias acontecerem, então peguei um pouco de tudo isso e joguei ali. As minhas meninas-unicórnio, coelhos, bruxas e mulheres inspiradoras… está tudo lá. O trabalho é meu, mas o significado é de quem observa.

 

 

Quais são as suas principais influências (obras, autores e artistas que lhe inspiram)?

Eu sou apaixonada pelo trabalho de cada professor que tive, talvez por ter me aproximado desse trabalho em um nível mais emocional e ter conhecido partes do processo que às vezes a gente não conhece tradicionalmente, fez esses professores serem referências pra mim. No Brasil estamos recheados de artistas incríveis e a gente não precisa ir nada longe pra achar quem admirar. Gonzalo Cárcamo, Leonardo Dolfini, Brão, Roger Cruz, Paulo Lasae, Eduardo Francisco, Caroline Gariba, Adriana Melo, Eduardo Schaal, e tantos outros são pessoas que inspiram meu dia-a-dia, coloco eles nas prioridades dos meus Feeds pra estar constantemente contaminada pela arte deles. Lá fora a Loish, Chiara Bautista, Craig Thompson, Pascal Campion, Lora Zombie e Janna Mattia são alguns dos que fazem minha mente pular.

 

 

Sabemos que o mercado voltado para a arte é complicado, e por isso, nós artistas temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de ilustrador e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação do seu SketchBook?

A vida de freelancer não é fácil, mas pra mim a pior parte é saber quando parar. Às vezes não temos finais de semana nem feriados. Eu levanto às 5:50 e às vezes às 22 ainda estou trabalhando. Tenho uma rotina de horários muito rígida pra começar e completar as tarefas que divido pelos dias, mas sempre me esqueço de marcar uma hora pra parar e comer ou descansar. A produção do SketchBook foi inserida nessa rotina de uma forma muito gostosa, porque foi uma oportunidade de rever meu trabalho do ano passado, ver meu volume de produção, o que me motivou, rever projetos e colocar muita coisa que nunca publiquei nas páginas. Mandei um conteúdo bem variado de coisas pra ser diagramado e confiei na seleção da equipe da Editora Criativo para eles comandarem o que entraria ou não dentre o que enviei. Mandei só coisas que amava, seja pelo resultado final, seja pelo momento em que as produzi e espero que isso atinja quem estiver com o livro nas mãos.

 

 

O que você acha que falta para o mercado de artes nacionais se consolidar?

Acredito que precisamos de uma mudança de pensamento em relação não somente ao público, mas também quanto ao próprio artista, através da conscientização. O ilustrador, o desenhista, o designer e tantas outras áreas que trabalham com criação e criatividade são muito relegadas ao supérfluo e ao “fácil”, porque ainda existe essa ilusão de que esses profissionais trabalham com o “dom” ou o “talento”, coisas que foram conferidas divinamente a eles e que agora ele utiliza sem esforço. Isso nos faz receber propostas em troco de “divulgação”, com uma promessa de “pagamento no futuro ou em uma próxima oportunidade” ou pagamentos irrisórios porque o nosso produto físico não é valorado da mesma forma como uma peça de ferro por exemplo. Esse tipo de coisa mina a profissão, o mercado e até mesmo a autoestima dos artistas, porque passamos a acreditar que precisamos nos sujeitar a tais condições porque “artista não fica rico”, mas além de não ficarmos ricos, não conseguimos muitas vezes nem mesmo pagar as contas e passamos situações vexatórias. Se cada pessoa que oferece essas “oportunidades” a um artista soubesse dessa realidade, talvez pudéssemos mudar um pouco dessa realidade, talvez criar nessas pessoas a vergonha de propor um acordo onde apenas um lado ganha (o deles), talvez expondo essas pessoas ou instituições, talvez conversando com elas sobre os malefícios que estão causando a toda uma classe e principalmente ao profissional a qual ela está colocando nessa posição de humilhação.

Essa mudança de pensamento da qual falo é a imposição dos artistas por respeito como profissionais, respeito por nossos cursos caríssimos, por nossos anos de dedicação, materiais abusivamente caros no nosso país, oportunidades de publicação na maioria das vezes inalcançáveis, por nossas hérnias de disco por passarmos anos sentados construindo o que de repente vão chamar de “dom que deus te deu”. E por outro lado precisamos lutar pela mudança de paradigma no nosso país que encara a arte e seus diversos produtos, (dos quadros clássicos a óleo às histórias em quadrinhos nacionais maravilhosas, publicações independentes, animações e etc) como algo supérfluo e “não necessário” no dia-a-dia humano. A arte em qualquer formato em que se apresente, bela, crítica, provocativa, reflexiva, divertida, informativa, didática, ela é necessária para o crescimento do pensamento humano, para o desenvolvimento da intelectualidade e dos sentidos de uma forma que somente ela proporciona, e isso não deveria ser um produto a ser apropriado só por uma parcela privilegiada da população e sim por toda a qualquer pessoa.

A editora Criativo criou uma oportunidade maravilhosa de colocar os trabalhos de tantos ilustradores à vista, com uma diversidade de trabalhos e pessoas, e com uma condição justa para o artista. Se no nosso país tivéssemos mais empresas e iniciativas como essa acontecendo, acredito que a arte não seria apenas algo que “tanto faz” na vida das pessoas e através dessa exposição democrática, poderíamos finalmente ter um espaço de voz e respeito. Precisamos enfim, atingir mais pessoas, mas ensinando-as de que existe uma necessidade de respeito pelo artista e pelo seu trabalho.

 

 

Qual a dica que você pode dar para outros artistas?

Não sei o quanto eu posso ajudar outros artistas, mas se eu puder compartilhar algo do que eu acredito, eu apontaria cinco coisas que me guiam:
1 – Estudem. Estudem MUITO, muito e SEMPRE. A gente nunca vai saber o suficiente.
2 – Seja verdadeiro consigo mesmo e com o seu trabalho, não dá pra fingir ser o que não é.
3 – Tenha respeito e seja justo com você mesmo e com os outros. Não vale a pena vencer em algo se não for assim.
4 – Ame o seu trabalho, ame o trabalho dos seus colegas e valorize seus mestres.
5 – E lute. Lute sempre. Não vai ser fácil, mas você também não é um desistente.

 

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?

Sempre quando vocês curtem, comentam ou compartilham meu trabalho, um coelho em algum lugar do mundo sorri, então te convido a acompanhar minhas aquarelas, desenhos e ilustrações, e conversar comigo por qualquer um desses meios:

www.facebook.com/talitaabreu.artwork
Instagram: @talitaabreu.art
www.capitaodoce.com.br
www.talitaabreu.com.br
E-mail: talitaabreu.art@gmail.com

 

O SketchBook da Talita está em Pré- Venda até o dia 18 de novembro de 2017, para adquirir o seu exemplar é só CLICAR AQUI!

E marque na sua agenda: SketchCon II será no dia 19 de novembro, das 11h às 18h, no Jazz Restô e Burgers (Largo Dona Ana Rosa, 33 – Vila Mariana, ao lado do Metrô Ana Rosa), em São Paulo/SP.

Confirme a sua presença CLICANDO AQUI!



Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.