ENTREVISTA COM PHELLIP WILLIAN GRUBER, UM DOS AUTORES DE SAUDADE

Saudade é uma história sobre uma família que encontra um cervo perdido e desenvolve uma relação afetiva com o animal.

Enquanto estavam indo acampar, um pai e seus dois filhos encontram um cervo machucado, caído na beira da estrada. Eles o levam para casa e cuidam dele, fazendo com que se torne mais um membro na família.

A avó das crianças chega e não gosta da ideia de viverem junto a um animal selvagem. A família entra em conflito e a história se intensifica quando seus traumas com um luto recente se confrontam com o desejo do cervo de encontrar seu lugar novamente na floresta.

E assim começa a história Saudade, quadrinho que busca financiamento através do Catarse e da autoria de três pessoas, a Melissa Garabeli, o Phellip Willian e o Deyvison Manes.

Fizemos uma breve entrevista com o Phellip para descobrirmos mais sobre a hq e sobre o processo criativo! Confira!

 

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Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

Minhas influências são narrativas no geral: Gosto de cinema, com Cohen e Kauffman. Na prosa com Kafka, Clarice, Rosa e outros vários. Nos quadrinhos gosto do trabalho de autores que conseguem estabelecer uma conexão entre verbal e visual de uma forma orgânica e inovadora. Uma galera como os gêmeos Moon e Bá, David Mazzuchelli, Luciana Caffagi e Vitor Caffagi, Eduardo Damasceno, Felipe Garrocho, entre vários outros brasileiros. Tenho um pé gigantesco em poemas também, com Drummond, Manoel de Barros e Manuel Bandeira. Gosto de experimentar as mais diversas formas de composição. Minhas principais influências são as composições poéticas que me atingem, de qualquer ramo ou linguagem.

 

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Saudade?

A ideia já está na nossa cabeça há um bom tempo. Surgiu das nossas reflexões sobre o amor pelos animais e pessoas, da maneira como eles nos marcam e mudam o modo de ver e agir no mundo. Acontece que enquanto pensávamos na história aconteceu uma tragédia com o Barney, um cão que resgatamos, mas que foi brutalmente assassinado. O universo acabou reduzido à experiência que tivemos com o Barney. As personagens resultaram deste nosso sentimento e agora o Leão, que é o cervo da história, é tão cão quanto a nossa memória pode conceber.

 

 

Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Saudade?

A nossa rotina é caótica. Enquanto te respondo, estou imprimindo o último exemplar da minha dissertação do mestrado (FINALMENTE), ao mesmo tempo que planejo os trabalhos das aulas de amanhã e termino de esboçar os layouts das próximas páginas com a Mel. Nossa vantagem é que somos casados (e nos amamos muito para suportar a tensão diária). A possibilidade de pensarmos na história enquanto almoçamos, ou antes de dormir, ou após acordar, faz com que a história vá surgindo naturalmente na cabeça e no lápis. Assim vai ficando mais fácil, mas não menos penoso. É preciso ter persistência para fazer acontecer. Ainda não terminamos, então nossa rotina ainda se complica a dia a dia, a cada página.

 

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?

Leitores. Não apenas no mercado de quadrinhos, mas no mercado editorial no geral. É preciso que tenhamos leitores. Meu papel como professor é instituir isto, mas esta luta deveria ser pauta de qualquer política pública, de qualquer escola ou produtor de conteúdo. Ainda que estejamos crescendo, é preciso que tenhamos mais,  não apenas para fortalecer a venda dos livros, mas para garantir uma bagagem cultural e social que advém da leitura de diversos autores que sabemos que existem, mas estão por aí, perdidos no limbo da vontade. Com a expansão do público poderíamos sonhar em viver de páginas repletas de quadros.

 

 

Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?

Analise os seus primeiros passos. Eu e a Mel ainda estamos começando, mas o que percebemos é que aprender a produzir, divulgar e lançar é um caminho que pode ser apreendido como consumidor, primeiramente. Demoramos um bom tempo para acreditar que podíamos lançar uma graphic novel. Lançamos um quadrinho de 6 páginas, em seguida de 20, depois um zine mais elaborado, com uma impressão mais caprichada. Investimos em livros mais alternativos, de poemas ilustrado e de livro infantil (focando em outro público, claro). Agora, depois de alguns anos perguntando, aprendendo, desenvolvendo traço e narrativa, acreditamos que podemos contar uma história maior. Se funcionou, vamos descobrir em breve.

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?

Podem nos seguir pelo facebook, no meu perfil pessoal (https://www.facebook.com/phellip.willian), no perfil pessoal da Mel (https://www.facebook.com/melissa.garabeli) ou, principalmente, na página dela: https://www.facebook.com/ilustramel.

 

 

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Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.