ENTREVISTA COM MINNA MINÁ, AUTORA DE ONDE AS GAIVOTAS FAZEM SEUS NINHOS

 

Gaivotas, busca por si  próprio, desapego, amadurecimento. Esses são alguns temas do livro da ilustradora paraibana Minna Miná, de 23 anos, “Onde as gaivotas fazem seus ninhos”, que está disponível para financiamento coletivo na plataforma Catarse e arrecadou mais de 10 mil reais em apenas duas semanas.

A publicação, primeira da artista que já tem em sua bagagem 2 exposições individuais, foi produzido inteiramente pela jovem, desde sua concepção à ilustrações e editoração. “Onde as gaivotas fazem seus ninhos” foi seu projeto de conclusão de curso de Mídias Digitais (UFPB) e tem conquistado apoio de futuros leitores de todo o país.

O livro é composto por 196 ilustrações coloridas feitas à mão e foi produzido durante um  ano, baseado na experiência da ilustradora na cidade do Porto (Portugal), onde fez intercâmbio. “Gostava muito de desenhar pessoas nas praças e cafés e de ver as gaivotas passarem. Percebi que nunca havia visto um de seus ninhos e que não sabia de onde viam, nem para onde iam. Me dei conta que como elas, temos nossos próprios ninhos e trajetórias que ficam ocultos para aqueles que só nos veem passar”, conta a jovem. O livro é sobre a busca por um ninho como um constante caminhar, que não tem a ver com permanecer, ou alcançar, mas que é como viver.

 

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Para cobrir os custos de impressão do livro, Minna espera arrecadar R$ 26.300,00 através de recompensas oferecidas por ela na plataforma do Catarse. Apoiadores podem escolher entre o livro impresso, cartões postais, marcadores de livro, desenhos originais e quadros emoldurados. Os apoios podem ser feitos através de cartão de crédito ou boleto bancário. Por ser uma campanha tudo ou nada, se a meta de arrecadação não for alcançada dentro de 60 dias, o livro não será impresso e os apoiadores terão seu dinheiro de volta.

O apoio dos futuros leitores é importante não só para tornar esse projeto realidade, mas para manter viva a rede de artistas independentes de nosso país. É possível contribuir com o projeto não só apoiando, mas divulgando e compartilhando entre amigos e familiares.

Para conhecer mais e apoiar o projeto, acesse: www.catarse.me/gaivotas

 

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Sinopse do livro:

Em uma cidade europeia vivem 4 jovens: o viajante, a imigrante, a executiva e o menino de luto. Apesar de não se conhecerem, eles possuem algo em comum além da solidão: estão na busca, cada um à sua maneira, por um ninho, refúgio do cotidiano. As histórias são contadas de forma paralela e enviesada, usando mais desenhos que textos, numa mistura de quadrinhos com livro ilustrado.

 

Sobre a autora:

A paraibana Minna Miná, de 23 anos, é formada em Comunicação em Mídias Digitais pela UFPB e adora desenhar desde criança. Seu exercício constante na arte resultou no aperfeiçoamento das técnicas e na criação de um estilo característico, o dos personagens estranhos de pescoços alongados. Aos 18 anos, Minna desenvolveu a exposição As Pequenas Coisas d’Amélie Poulain para a galeria Louro e Canela, e foi um sucesso de público. Em  maio de 2014, seu projeto foi selecionado pelo edital Expo-SESC e À Espera no Campo de Centeio, sua segunda exposição, foi exposta com apoio do SESC. Em seguida, a mesma exposição passou ainda pela Galeria Louro e Canela, Energisa e Espaço Cultural José Lins do Rêgo. Ela também desenvolve trabalhos de design e ilustração para eventos culturais, capas de livros e ilustrações para a editora Abril.

 

Para descobrir mais sobre o projeto e o processo criativo que o envolve, nós da Imperial HQs realizamos uma breve entrevista com a autora! Confira!

 

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Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

Eu sou apaixonada por cinema e literatura e isso acaba influenciando meu trabalho seja na composição do quadro, escolha de cores ou enquadramento, ou mesmo de tema. Entre os pintores, Van Gogh e Toulouse Lautrec são meus favoritos. Admiro muito também o trabalho dos quadrinistas e autores de livros ilustrados Shaun Tan, Maurice Sendak, Manuele Fior e David Mazzucchelli. E os trabalhos das ilustradoras Rebecca Dautremer, Isabelle Arsenault e Júlia Sardà são uma grande referência para mim.

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Onde as gaivotas fazem seus ninhos?

A ideia pro livro surgiu quando eu estava no Porto, em Portugal, a cidade onde fiz intercâmbio. Eu gostava muito de observar e desenhar as pessoas nos cafés e praças e também de ver as gaivotas. Percebi que apesar delas estarem sempre por todos os lugares da cidade, eu nunca havia visto um de seus ninhos, então não sabia de onde viam, nem para onde iam. Daí me dei conta que assim como as gaivotas, nós também temos nossos próprios ninhos, que também ficam ocultos para aqueles que só nos veem passar. Então resolvi contar sobre essa busca que todos fazemos ao longo de nossas vidas por um ninho sob o olhar de 4 personagens diferentes: o viajante, a imigrante, o menino de luto e a executiva.

Falando assim, pode parecer que a ideia surgiu de forma clara para mim, mas na verdade foi um pouco turbulento. Foi estando imersa em outra cultura, longe de casa e dos meus amigos pela primeira vez que senti a necessidade de buscar novos ninhos, abrigos. E então os personagens surgiram como desdobramentos das situações que eu estava vivendo e das coisas que estava sentido.

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Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Onde as gaivotas fazem seus ninhos?

Onde as gaivotas fazem seus ninhos foi meu projeto de TCC do curso de Comunicação em Mídias Digitais, da UFPB. Então durante um ano, eu desenvolvi tudo desde o roteiro à capa do livro. Devido ao cronograma que precisava cumprir, a etapa de produção das 196 ilustrações durou 4 meses, foram em média 5 ilustrações por semana. Eu trabalhava no livro das 9h às 18h, de segunda à sexta enquanto ainda me dedicava ao curso, escrevia o relatório de produção do TCC e realizava alguns trabalhos como freelancer. Eu fiz questão de ter uma rotina rígida e bem dividida, não trabalhava no livro nos fins de semana e sempre fazia intervalos e alongamentos durante o dia. Mas apesar do ritmo acelerado de produção e da pressão para concluir o curso, senti falta de desenhar e pintar todos os dias quando acabei a produção do livro.

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?

Acho que em como nas várias áreas artísticas e culturais no Brasil, seja cinema ou artes plásticas, falta incentivo de produção e distribuição das obras. Temos muitos jovens talentos que vem se destacando no cenário nacional com a ajuda da internet, mas ainda é muito difícil ter seu primeiro trabalho publicado e distribuído por uma editora.

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Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?

Antes de fazer Onde as gaivotas fazem seus ninhos, meu primeiro livro, eu fiz exposições individuais e coletivas que me deram visibilidade na minha cidade para conseguir trabalhos como ilustradora e designer. Mas primeiro eu tive que vencer minha insegurança e vergonha de mostrar o que sinto e penso através de meu trabalho. Hoje eu percebo que esse deve ser o ponto de partida de qualquer artista. Acho que também é preciso honestidade consigo mesmo para seguir suas próprias motivações e fazer o que te move, sem medo. Além disso, é importante estar aberto para ouvir opiniões e críticas de fora e sempre, sempre estudar e praticar para melhorar.

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?

Eu costumo publicar meus trabalhos nas minhas redes sociais: no Instagram (@minnamr), Facebook (facebook.com/minnamr) e Behance (behance.net/minnamr). Sendo no Behance o lugar onde procuro sempre detalhar o processo e estágios de criação.

Lembre-se! Para apoiar a campanha é só CLICAR AQUI!

Se não puder colaborar financeiramente, compartilhe o projeto com seus amigos e familiares! Será de grande ajuda!



Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.