ENTREVISTA COM LELIS, AUTOR DE ANUÍ

A história de Anui se passa em uma cidadezinha encrustada no sertão de Minas Gerais. Ali vive Alice, uma menininha que tem uma caixinha de música e só dorme ouvindo sua musiquinha. Mas um dia a caixinha estraga. Não abre mais e, claro, não toca mais aquela melodia doce que embala seu sono.

Ninguém mais suportava as lamúrias da menina que implorava noite e dia para que alguém a consertasse. Naquela cidade, minúscula cidade, só um homem poderia fazê-lo: Jurandir Jeitoso, um velho rabugento mas capaz de consertar qualquer coisa que entrasse em sua oficina.

 

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Será que ele vai dar conta? Será que Alice voltará a ouvir sua musiquinha? Será que todos voltarão dormir em paz naquela cidadezinha que há dias escuta um chorinho miúdo e triste, de uma menininha que não dorme mais tentando abrir sua caixinha de música?

Para descobrir mais sobre a história em quadrinhos e sobre o autor, nós da Imperial HQs realizamos uma breve entrevista. Confira!

 

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Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

Muita coisa me inspira. Mas o acho que mais me influenciou foram os desenhos do Pernalonga e do Tom e Jerry. Mas aqueles beeeemmmm antigos.

 

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Anuí?

ANUÍ é uma palavra modificada. No português formal é ANUIR que significa aceitação, consentimento. Mas andei muito em roças e tentei transpor para a grafia o som da palavra Anuir quando eles a usavam. E usavam com muita frequência.

Escrevi o texto no final de 2014. A minha primeira ideia era produzir um livro infantil. Apresentei o projeto para algumas editoras na época mas o mercado de livros estava passando por um momento muito ruim. O que ainda continua a acontecer. As editoras adiaram os novos projetos que estavam chegando até eles e a coisa foi esfriando. No começo de 2015, lendo novamente o texto, comecei a pensar em transformá-lo em quadrinho. O texto tinha ritmo, personagens fortes e fôlego suficiente para agurentar 48 páginas. Toda a descrição dos personagens e cenários que fiz no texto original está no quadrinho. Ficou fácil fazer o quadrinho  guiado por ele.

Tive que adicionar mais elementos para que ganhasse ritmo de quadrinhos, mas é como se fosse um livro de literatura que foi adaptado para os quadrinhos pelo próprio autor. Situação inversa do que é mais comum fazer..

 

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Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Anuí?

Faço muita coisa ao mesmo tempo. Sou ilustrador de um jornal aqui em minas e tenho que ir à redação todos os dias, além de escrever e ilustrar liros infantis e juvenis. Não sobra muito tempo para tudo que eu gostaria de fazer mas no tempo que tenho, procuro aproveitar o máximo que  posso. Geralmente na parte da manhã estou mais livre. Sempre acordei muito cedo por isso o trabalho rende.

 

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?

Virar um mercado. Um mercado formal como nos EUA e na França por exemplo.

Há um tempo atrás havia um prenúncio. O governo comprando projetos fazia com que as editoras investissem  cada vez mais em novos projetos e criação de selos exclusivos para o segmento. Se a coisa vingasse, talvez as editoras esqueceriam um pouco as adaptações para vender no PNBE e apostariam em quadrinho autoral, o que levaria o mercado a outra categoria. Mas com a crise, corrupção e esses escândalos, as verbas para educação e cultura minguaram e a conta sobrou para a editoras que perderam seu principal cliente. Aí, já viu, né?

 

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Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?

Nossa. Tá difícil isso hoje em dia. Olha, se você quer fazer alguma coisa, se ama isso, mete as caras. Apesar da aridez do mercado brasileiro, a gente só melhora como profissional, seja no quadrinho ou outra profissão, exercitando. Se quiser encontrar alguém que queira apostar em você, pode até achar. Mas o mais aconselhável é fazer algo diferente, inusitado. O mercado, apesar de não ser um, está lotado de novos quadrinistas, ávidos por espaço. Então, seja diferente. Inove essa incrível linguagem.

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho? 

Normalmente nas livrarias, na parte infantil, dá para achar alguns livros que ilustrei ou que escrevi. Lá fora, volta e meia faço algum quadrinho também. No jornal Estado de Minas, sou ilustrador. Mas com a web hoje em dia, dá para acompanhar o trabalho de praticamente todo mundo.

 

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Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.