ENTREVISTA COM HIRAM MILLER, AUTOR DE BALAS CONTADAS

Balas Contadas — Uma aventura no Velho Oeste sobre o valor da amizade, lealdade e perda.

Está no ar a campanha de financiamento coletivo da narrativa gráfica Balas Contadas.

O quadrinho conta as histórias do fora-da-lei Teller, o líder do Bando Ébrio, que fala sobre seus comparsas e mostra que ser parceiro é mais do que estar junto, se embriagar, dar cobertura em tiroteios ou em brigas de bar.

Um quadrinho com muita ação inspirado nos clássicos do Velho Oeste italiano e acompanha tudo que um grande clássico do gênero pede: deserto, locomotivas, pólvora e muito whiskey. Tudo isso é pano de fundo para uma história sobre o valor do companheirismo, lealdade e, por ser uma época com perigos constantes, também é uma história sobre perda.

O encadernado tem 80 páginas com arte-final tradicional a nanquim e pintura digital. Todos os apoiadores que investirem a quantia de R$ 30,00 já levam uma edição impressa do quadrinho. Também são oferecidas outras recompensas que incluem cartões postais, marcadores de páginas e obras inéditas dos artistas Luda Lima e Olavo Maciel.

A campanha é pelo site de arrecadação coletiva  Catarse e vai até o dia 8 de Setembro no site: https://www.catarse.me/balascontadas

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Sobre o autor:

Hiram Miller (31 anos) é designer e quadrinista. Esta é sua primeira narrativa gráfica independente, com roteiro, arte e cores próprias e foi inspirado pela perda de um amigo a cerca de dois anos. Então, começou a escrever e desenhar uma história para homenagear seus companheiros de aventuras.

Para saber mais sobre o autor e sua obra, realizamos uma breve entrevista! Confira!

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Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

Bem pequeno eu conheci TEX e Ken Parker, então sempre tive essa inclinação para os clássicos de faroeste. Na parte artística, Todd McFarlane e Steve Dillon são as maiores influências. Já no roteiro, Garth Ennis e Warren Ellis têm exatamente o que eu procuro, a mistura certa de entretenimento, visceralidade e temas sérios. Por outro lado, Neil Gaiman também me inspira muito, não só pelos quadrinhos, mas pela maneira que ele fala do fazer artístico.

 

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Balas Contadas?

Tenho um grupo pequeno de amigos próximos, que dá pra contar nos dedos das mãos. Sempre quis fazer um quadrinho mais elaborado com algumas histórias das aventuras de RPG ou alguma piada interna do grupo. Só que a vida vai seguindo e vamos deixando esses pequenos projetos de lado. Dois anos atrás — do nada — um amigo muito querido faleceu, bem jovem. Assim, as desculpas acabaram e comecei a escrever uma homenagem aos amigos que ficaram.

Então o Balas Contadas é uma aventura de faroeste com personagens caricatos, assim como todo grupo nerd. E é dedicado não só aos meus amigos, mas a todos os grupos de amigos que são parceiros de longa data.

 

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Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Balas Contadas?

Conciliar o trabalho e a produção do quadrinho é bastante difícil, mas não é impossível. É preciso ter bastante disciplina, um cronograma e determinação diária. Para mim, também está sendo muito importante estudar enquanto produzo. Em linhas gerais, para cada 6 horas de trabalho na mesa de luz, outras 2h são de estudo. A verdade é que sobra pouco tempo pra descansar. Mas no fim das contas, quando você vê as páginas prontas depois de tanto tempo escrevendo e planejando, valem a pena todas as horas de sono perdidas.

 

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?

É bem comum a descrição do cenário de quadrinhos como algo circular, onde só artistas compram de artistas. Eu concordo com isso. Mas talvez, se a vontade de fazer arte for o suficiente para alguém se interessar pelos trabalhos, principalmente independentes, quem sabe se ao invés de tentar convencer as pessoas a ler quadrinhos, devêssemos lembrá-las que todos podemos ser artistas.

 

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Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?

Divirta-se. Esse é um conselho que muitas vezes é fácil de esquecer. Quadrinhos são extremamente onerosos em tempo, planejamento, habilidade, paciência… É um verdadeiro teste de resistência e pode até fazer a pessoa se afastar do ofício pelo simples desgaste. Mas tente sempre se lembrar da motivação que o levou a fazer a HQ. Veja o quanto está aprendendo e evoluindo como artista, e aproveite a história que só você pode contar — divirta-se.

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho? 

Pelo site do projeto www.balascontadas.com , também no www.facebook.com/balascontadas

E no Instagram https://www.instagram.com/hirammiller01/

Para comprar o Balas Contadas antecipadamente, receber recompensas exclusivas e o nome impresso nos agradecimentos: https://www.catarse.me/balascontadas

 

Lembre-se, se não puder apoiar financeiramente, compartilhe o projeto com seus amigos! Será de grande ajuda!

 

 



Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.