ENTREVISTA COM GAZY ANDRAUS

O Gazy Andraus é um dos artistas que lançaram seu SketchBook no evento SketchCon II promovido pela Editora Criativo.

Para conhecer mais sobre o artista e sobre o seu lançamento, realizamos uma breve entrevista. Confira!

 

 

Conte-nos um pouco sobre o que iremos encontrar no seu álbum.
É um álbum que reprisa meu projeto de fanzine em 4 números chamado “Homo Eternus” que lancei em 1993/94 e que foi coeditado na época por Edgard Guimarães (faneditor do “QI-Quadrinhos Independentes”). Essa versão do álbum traz o volume 1 de minha quadrilogia mas com duas HQs a mais do mesmo período. São histórias poético-filosóficas (ou fantástico-filosóficas) curtas que faziam parte desse estilo, do qual comungam Edgar Franco, Henry Jaepelt, Flávio Calazans e alguns outros. Interessante que as capas dos 4 números do fanzine original trazem uma sequência, e para que o leitor a conheça na íntegra, resolvi que distribuirei um minizine no lançamento, contendo a reprodução das capas, que ele receberá junto da compra do álbum.

 

Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?
Um pouco dos quadrinhos clássicos dos super-heróis (nas anatomias de alguns personagens), mas com mais influências do quadrinho adulto fantástico europeu, em especial dos franceses Caza, Druillet e Moebius. No conteúdo, influências de William Blake, Gibran Khalil Gibran, e leituras espiritualistas como o Tao te King.

 

 

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Homo Eternus?
A questão do mito do super-ser, mas travestido no homem comum que busca a transcendência. A “roupagem” é o tom metafórico do homem calvo, seminu e que simboliza qualquer um, que tem um poder além de si, mas que ainda desconhece e busca suplantar. Meus personagens geralmente são assim, e minhas HQs não usam o padrão de ter personagens conhecidos. Eu vou mudando, e por vezes nem há personagens como na HQ “Pedra Bruta” que narra o potencial da escultura.Tais questões ficam travestidas em histórias curtas, vez ou outra com tons fantasiosos, mas com mensagens poéticas.

 

 

Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Homo Eternus?
Na época dos fanzines foi como eu sempre fazia (e ainda faço): com base nas leituras dos temas que apontei nas questões anteriores, principiava a desenhar direto à nanquim sob audição de músicas (rock progressivo, hard, heavy, e instrumentais, incluindo o que chamavam de “new age”), que me faziam passar do estado beta ao quase alfa, travando um pouco meu hemisfério cerebral esquerdo (que é racional e linear), permitindo a fluição do direito (que é criativo e “holístico”). Isso tudo enquanto eu cursava artes na FAAP-SP, com parcos recursos financeiros, e uma fase bem difícil da vida. Paradoxalmente, essa mesma fase me fazia ler outros temas (não só os de artes e HQs) e me trazia reflexões que eram despejadas nas minhas criações. Tudo entremeado ao trabalho que exercia como assistente de arte e outras obrigações (dentre elas, me manter vivo na época de uma inflação galopante sem igual). Depois, no mestrado, o processo continuou, em que fui desenvolvendo em paralelo à dissertação, outras HQs cada vez mais imbuídas desse espírito de esperança e reflexão filosófica. No fundo, são essas mesmas responsabilidades que nos fazem ter idéias distintas como saída das dificuldades, e que são respondidas através da arte, no caso, das HQs. O mesmo ocorre atualmente, mas estou bem menos atuante nos desenhos, muito devido à exacerbação de meu lado racional que se desenvolveu durante o doutoramento, e com as responsabilidades que tive e tenho, como professor universitário.

 

 

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?
Na verdade, muito pouco, visto que na atualidade editoras, pequenas, médias e grandes publicam muitos autores e autoras nacionais, como nunca houvera antes. Falta, talvez, investir nos estilos menos conhecidos, como o poético, que é para um público menor, mas que também o aprecia.

 

Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?
Criar sem se importar com sucesso ou publicações a todo o custo (e para tal, existe o fanzinato, que pode servir de laboratório). Isso para que seu processo criativo se desenvolva, como aconteceu com muitos de nós nas décadas de 1980 e 90, como no caso dos quadrinhos poéticos que foram se formatando inconscientemente e com base na criatividade sem preocupações ulteriores comerciais.

 

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?
No fanzinato, e na internet, no Facebook com meus álbuns de fotos. Também tenho meu bio-blog, para links de minhas artes e de meu percurso acadêmico, incluindo textos, dissertação de mestrado e minha tese de doutorado “As Histórias em Quadrinhos como informação imagética integrada ao ensino universitário (USP, 2006) que ganhou o prêmio como melhor tese de 2006 pelo HQMIX em 2007: http://tesegazy.blogspot.com.br , http://gazymagem.nafoto.net/index.html

 

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Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.