ENTREVISTA COM G. PROFETA E FABIO VIEIRA, AUTORES DE KIN: A GAROTA FANTASMA DA LIBERDADE

 

No coração vibrante da cidade de São Paulo, existe uma lenda urbana: a garota fantasma da Liberdade, como as pessoas a chamam, entre sussurros.

Ocasionalmente, no bairro japonês, ela é vista durante as madrugadas, sempre no escuro. Às vezes você pode ouvir os seus passos, correndo sobre o viaduto da Rua Galvão Bueno. Você pode ver o seu vulto, saltando de poste em poste. Você pode ver a sua espada. Mas jamais o seu rosto.

“Se é que ela existe de verdade”, questionam alguns, descrentes.

Mas, sim, ela existe.

E toda lenda tem uma razão de ser por trás do véu da noite. Toda lenda tem um nome. E o nome desta é Kin.

Está é a sinopse de KIN: A garota fantasma da Liberdade, para descobrir mais sobre o projeto, nós da Imperial HQs realizamos uma breve entrevista.Confira!

 

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Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

G. Profeta: Não uma obra ou autor específico, mas estilos artísticos, por assim dizer. Nós nos influenciamos por expressões típicas do Japão, principalmente o haikai e o shodo. Tentamos aplicar – ou traduzir – o espírito das duas coisas (ou como nós as percebemos) à linguagem de uma HQ.

Fábio: Eu leio muita coisa e acredito que sofro influência de todas essas coisas, e também da música, de livros, filmes, o próprio dia-a-dia… mas se for para apontar a obra/arte ou alguém em quem sempre volto, olho e busco ensinamento, conhecimento desde arte a narrativa, são os trabalhos do CLAMP, principalmente os mais recentes: xxxHolic, Tsubasa, Gate 7. O visual e delicadeza dos personagens me encantam, a construção da narrativa é sempre poética e a mágica da história permeia TODO o visual. Eu busco isso na minha arte. Sei que KIN não traz muito do visual deles, mas é por uma escolha nossa de trazer algo mais forte e também de ser uma história real, sem superpoderes e magia.

Especificamente para este trabalho (KIN), analisei os traços de Vagabond (Takehiko Inoue), onde encontrei soluções para adaptar meu traço ao visual que desejávamos para o quadrinho, e a narrativa incrível de O Escultor (Scott McCloud), que é uma aula sobre ângulos de câmera, escolhas de cenas, recortes de quadros e como a narrativa provoca os sentidos do leitor. Fora toda a técnica do pincel japonês: shodo, sumi-e. A arte-final de KIN é basicamente feita com o pincel, exatamente para trazer aspectos dessas tradições.

 

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De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Kin: A garota fantasma da Liberdade?

G. Profeta: A ideia é mostrar o componente humano por trás de uma lenda urbana. Toda história tem uma outra história por trás – ou outras histórias, no plural. O processo de criação envolveu pesquisa de campo, para transformar o cenário em si num personagem onipresente, assim como a própria experimentação com haikai e com shodo.

Fábio: Eu e o G. Profeta nos conhecemos através do Catarse, ambos estávamos com projetos em andamento. Ele estava buscando um desenhista para um novo projeto, me perguntou se eu conhecia alguém (na época ele não sabia que eu desenhava) e quando me apresentou toda essa proposta e história, eu não resisti… indiquei a mim mesmo haha!

O Guilherme é uma pessoa muito fácil de trabalhar. Fiz dois esboços a partir da descrição que ele me deu da KIN e no segundo já fechamos que era ela. Então, a partir do roteiro que ele me apresentou e do character design que fiz, comecei a esboçar o storyboard. Ele me dá muita liberdade para criar, fora que a forma como ele escreve faz com que os recortes das cenas pulem na minha cabeça. Fechamos o storyboard do volume todo e agora estou trabalhando nas páginas! O segundo capitulo já tá quaaase todo desenhado haha <3

 

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Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Kin?

G.Profeta: KIN foi baseada num conto de dez anos atrás. A base estava pronta há muito tempo. Recentemente, o trabalho se deu em adaptar o conto ao formato e à linguagem de um roteiro de HQ (ou mangá).

Fábio: Bom, eu trabalho na Ânima Academia de Arte (escola de arte de Campinas-SP) como Coordenador. E, dentro da escola, coordeno também o Studio MAGENTA, que é uma iniciativa que envolve professores e alunos para se organizar e desenvolver projetos autorais ou do mercado. Então sou meio parecido com a KIN: durante o dia sou Fábio, o coordenador e de noite assumo a identidade de Fabo, o ilustrador haha

Trabalhar na escola e no Studio me permite estar diretamente ligado a campanha no Catarse. Então executo toda essa parte durante minha jornada de trabalho: vídeos, arte de divulgação, posts… tudo relacionado a campanha. E eles também me dão muita liberdade para desenhar e realizar meus projetos de ilustrador. Me ajudam muito com correções e dicas sempre que preciso <3 Mas, obviamente, não consigo desenhar o dia todo haha então demoro mais para produzir as páginas.

 

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O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?

G. Profeta: Tem muita gente fazendo coisa muito boa por aqui. O que falta, na minha opinião, é profissionalização. Nós precisamos entender que isso é um negócio. Parece-me – e essa é meramente uma percepção pessoal – que essa questão mercadológica ainda é fraca por aqui. Há muitos artistas, e bons, mas poucos consideram o mercado como o que ele é: um mercado.

Fábio: temos artistas e escritores muito bons! Mas acho que falta valorização do material produzido aqui e por gente daqui. E não estou falando só do consumidor, mas também das editoras. Elas raramente apostam em títulos/autores desconhecidos, dão preferência para os consagrados internacionais. Entendo: eles precisam vender. Mas tem TANTA coisa legal sendo produzida de forma independente! Tanta coisa boa e que tem um bom retorno do público.

 

Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?

G. Profeta: Não espere a hora certa para começar. Não espere que você fique conhecido. A “hora certa” não existe, assim como o seu leitor ainda não existe; ele só passará a existir depois que o material a ser lido esteja pronto. Escreva e eles virão.

Fábio: FAÇA! Não é fácil. Catarse então, é uma loucura haha. Mas se é o que você quer fazer, se você tem histórias para contar… CONTE! Pratique muito, estude muito, busque sempre melhorar, mas não deixe de fazer e concluir! “Mas não está perfeito!” Nunca estará! Quando você terminar a sua 20ª página, já vai desejar redesenhar a primeira! Trabalhando você aprende e melhora e cresce e muda! É assim que somos! Então FAÇA!

 

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Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?

Fábio: Aaah! Pode seguir no Instagram: www.instagram.com/fabiovieiras  e pode seguir no Facebook também: www.facebook/art.fabiovieira. E tem também o do Studio MAGENTA: www.facebook.com/studiomagenta.art/

 

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Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.