ENTREVISTA COM FÓSSIL GRAFF

O Fóssil é um dos artistas que lançaram o seu sketchbook no evento SketchCon II promovido pela Editora Criativo.

Para conhecer mais sobre o artista e sobre o seu lançamento, realizamos uma breve entrevista. Confira!

 

 

Conte-nos sobre o que encontraremos no seu álbum.

Fotos de fósseis mescladas a desenhos. Por vezes são imagens sobrepostas. Faço esboços dos fósseis para melhor compreender sua origem e o todo da qual ele foi uma parte. Também há ocasiões em que transformo a imagem de um fóssil numa gravura ou num stencil que vira um grafite, por exemplo

 

Quais são as suas principais influências (obras, autores e artistas que lhe inspiram)?

Meu avô Gino Leôncio, o livro “Memórias de um cabo de Vassoura” (Orígenes Lessa), a música “Chão de Estrelas” (Mutantes), o disco “Crucificados pelo sistema” (Ratos de Porão) e a “Gramática Expositiva do Chão” (Manoel de Barros). Além do erro, os acidentes de percurso, o acaso, os borrões de corretivo (branquinho) no caderno dos alunos.

 

Sabemos que o mercado voltado para a arte é complicado, e por isso, nós artistas temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de ilustrador e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação do seu SketchBook?

Foi um tanto quanto tranquila porque sou bastante disciplinado e cumpro os compromissos que assumo comigo. Então eu estipulei um período do dia, durante um certo tempo, para a produção desse material. Procurei desenhar em espaços distintos, cada dia em um local, ou seja, não apenas no estúdio. Saí para desenhar, numa série de estudos do meio. Há fotos e desenhos no livro que fiz na Vila Madalena, mas também em Santana, Vila Medeiros e até no interior de SP (Mirandópolis).

 

O que você acha que falta para o mercado de artes nacionais se consolidar?

Manifestação. Mas não aquelas organizadas por TV. Nas artes o corporativismo impera como em qualquer outra área. Nem sempre o artista mais talentoso é representado por uma galeria. A gente não pode contar com os governos, principalmente agora. Cultura não existe para esses burocratas capitalistas que estão no poder. Sou um pouco descrente em relação a programas de formação de público. O público precisa ter acesso a arte sem que haja um projeto por trás, com gente ganhando milhões ao fazer lobby com aquilo. Talvez falte mais pichação (não grafite) nas ruas. Nosso caos é muito zen.

 

Qual a dica que você pode dar para outros artistas?

Produzir sua arte como uma criança. Senão o cara fica repetindo Basquiat, Banksy etc etc. Repare que uma criança quando está produzindo ela não está pensando em copiar ninguém, não há qualquer referência. Daí o resultado é a pureza, painéis únicos. Quer produzir algo realmente original ? Reseta a mente, apaga tudo. Depois pega o pincel atômico, ajeita a folha no cavalete de flip-chart e vê no que dá. Quem sabe.

 

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?

Insta: @nomesocial

Face: Fóssil Graff

 

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Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.