ENTREVISTA COM DAVI CALIL, AUTOR DE KUNG FU GANJA

 

Kung Fu Ganja se inicia na China medieval, em uma fazenda de ervas medicinais que cultiva plantas mágicas. No universo de hq as plantas são a fonte de magia, para se tornar um mago a pessoa precisa ser uma espécie de agricultor e botânico.

No primeiro volume da série conheceremos a história de Juan Xin Cai, um garoto orfão de uma perna só, criado num monastério Shao Lin. Juan decide salvar uma floresta que será alagada, plantando suas sementes num lugar seguro.

Porém, a vida de Juan não é um mar de rosas. Muitos obstáculos aparecerão no caminho desse rapazinho, como demônios gigantes que foram trazidos de outra dimensão pela Dinastia Song.

 

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Para conhecer um pouco mais sobre o projeto e sobre o autor desta história em quadrinhos, nós da Imperial HQs realizamos uma breve entrevista com o Davi! Confiram!

 

Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

Nossa, é muita coisa, tudo me influência de certa forma. As ideias vêm quando eu estou na fila do banco, escovando os dentes, rsrs, por isso sempre carrego um caderninho de bolso pra anotar na hora, porque se deixar pra depois, o cérebro se entretém com outra coisa e deleta essa informação.

Mas entendo que a pergunta era mais específica sobre autores de hq mesmo, então vamos lá. No Brasil tem o Piratas do Tietê, da Laerte, mais do que outra coisa que a Laerte tenha feito, Piratas foi o que mais me marcou sem dúvida. Eu lia e relia quando era moleque, chorava de rir e me motivou bastante pra querer fazer hq com humor e aventura. Akira Toriyama, principalmente com a primeira fase do Dragon Ball, também é uma hq que leio e releio. Eiichiro Oda, do One Piece, Yoshihiro Togashi, do YuYu Hakusho, esses são os principais caras que eu li nessa pegada Shonen Jump. Comecei a ler Asterix (Goscinny e Uderzo) bem cedo e também me despertou a vontade de fazer algo na pegada Humor/Aventura. Do mercado francês eu gosto muito do Christophe Blain (Gus) e adoro e recomendo fortemente a série Donjon do Lewis Trondhein e Joann Sfar. Do mercado americano de hqs eu li muito dos super-heróis da Marvel/DC, mas abandonei na adolescência, o que me lembro com mais carinho dessa época são das HQs da Liga da Justiça escrita pelo Keith Giffen e desenhada Kevin Maguire (continua bom até hoje) e a série do Lobo, também escrita pelo Keith Giffen e desenhada pelo Simon Bizley.

Tirando tudo isso, sou muito influenciado por animação, muito, muito mesmo. Das animações clássicas do Perna Longa e Papa Léguas do Chuck Jones, a Ren & Stimpy do John K, Flap Jack, Bob Esponja, Hora da Aventura. Steven Universo, Regular Show, Gumbal e por aí vai.

Ah, e por fim, Tela Class do Hermes & Renato também me influenciam muito na hora de escrever os diálogos (:

 

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De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Kung Fu Ganja?

A ideia surgiu, inicialmente, da vontade de fazer uma hq de humor e aventura, queria que envolvesse artes marciais e que se passasse na China Medieval. Na época eu estava até praticando Kung Fu pra entrar no espírito da coisa (e também porque eu gosto de artes marciais). Porém, ainda estava imaginando as linhas gerais da história, quem seriam os personagens, os conflitos, etc. Num certo dia, eu havia voltado do treino de Kung Fu (vale dizer aqui, eu divido o estúdio com alguns amigos, entre eles o quadrinista Artur Fujita), ainda estava com a roupa do Kung Fu, sentei na minha cadeira e comecei a enrolar um tubinho de papel (pra bom entendedor, meia palavra basta, rsrs). Fujita passa ao meu lado, olha a cena e comenta:”- E aí? Você é o Kung Fu Ganja por um acaso?”, ou algo assim, mas foi ele quem juntou as palavras Kung Fu e Ganja na mesmo frase pela primeira vez, rsrs, daí a gente se olhou e pensou: -Nossa, dá um puta nome bom pra um projeto. E realmente o nome não saia da minha cabeça, em minutos eu já tinha um personagem com esse nome e uma ideia do visual dele. Voltei pra hq de aventura que estava imaginando, joguei 90% do que tinha pensado fora, e comecei novamente, mas agora com o Kung Fu Ganja como um dos personagens, daí sim a coisa começou a ganhar o formato que tem hoje.

Quanto a criação do universo, vem muito dos filmes chineses de Kung Fu dos anos 70 & 80, que adoro assistir, e da relação que eu tenho com as plantas. Meu hobby é mexer com plantas, tenho um sítio no interior de SP onde toco um projeto de reflorestamento com meu pai, a gente tira as mudas da Mata Atlântica, cria num viveiro até ter porte para ser plantada no chão. Me envolvo bastante com essa questão e criei o sistema de magia do universo do Kung Fu Ganja baseado em plantas mágicas, pra poder colocar essa influência botânica na história também.

 

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Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Kung Fu Ganja?

Pois é, o eterno equilíbrio entre correr atrás do sonho e pagar as contas do mês. Acho que o objetivo de todos (que desenvolvem trabalhos autorais) é, em algum momento, pagar as contas trabalhando no projeto pessoal. Daí vai da capacidade de cada um de colocar esse plano em prática, muitos simplesmente não têm organização suficiente e não conseguem. Eu sou freelancer já faz muitos anos, dou aulas de pintura e trabalho em projetos de animação fazendo concept de personagens e storyboard. Foi trabalhando com animação, inclusive, que aprendi a organizar as etapas de produção da minha hq (acho que todo quadrinista devia mergulhar um pouco no universo da animação, as duas mídias são muito relacionadas).

Minha rotina foi, primeiramente, escrever 4 anos de história em linhas gerais, eu TENHO que saber pra onde a história está indo, então precisei definir bem sobre o que era a história e pra onde a trama estava indo. Depois foi organizar meus horários pra começar a produção, estabeleci um número de páginas que poderia fazer por mês, junto com minhas outras responsabilidades, e fui aumentando o número de páginas conforme pegava ritmo de produção. Agora, com a campanha do Catarse e o prazo do lançamento ficando mais perto, eu tirei 2 meses pra trabalhar somente no KFGanja, assim consigo acabar a parte da arte e me dedicar ao fechamento do livro.

 

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O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar? 

Essa pergunta não tem uma resposta, ou pelo menos não da pra responder de forma simples, rsrs. Primeiro que o mercado não vai consolidar assim, tipo, a gente acorda um belo dia e tcharaann o mercado CONSOLIDOU!!! rsrs, todos autores agora vivem de produzir hq e as revistas vendem aos milhares, rsrs, as vezes tenho a impressão que o povo acha q foi isso que aconteceu nos EUA, Japão e França, rsrs. Acho que o mercado de trabalhos autorais vem se consolidando, vai voltando de 10 em 10 anos e dá uma olhada em como era a produção e as vendas de hq autoral no Brasil em 1997, 2007 e 2017, a produção só aumenta, as vendas só aumentam.

Agora, isso não quer dizer que a gente tenha que ficar esperando a coisa acontecer, acho que o “mercado” é composto de vários agentes, tem o autor, mas tem o vendedor, distribuidor, editor, leitor, mídia especializada, os críticos, tem todo um universo de profissionais que precisa existir pra sustentar as demandas desse mercado, toma tempo até que essa estrutura se forme. Agora, nós, enquanto autores, temos a nossa responsabilidade, que é dar QUALIDADE a nossa produção, se não tem mercado no Brasil ainda, tem que buscar espaço lá fora, publicar os projetos que a gente cria em editoras americanas e europeias, mas por que isso é tão difícil? Porque além da barreira da língua, existe o ALTO NÍVEL da produção de HQ gringa. Pra mim esse é o grande desafio hoje em dia, dar qualidade a minha produção para que eu possa competir em pé de igualdade com projetos gringos e consiga ver meu trabalho sendo publicado em outros mercados e outras línguas.

 

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Qual a dica que você pode dar para outros autores independentes?

Estudem roteiro, estudem narrativa, tornem se bons contadores de histórias. Busquem influencias para as suas histórias fora das HQs. Façam uma versão em inglês do seu trabalho e publique na internet, o público para as nossas histórias está espalhado pelo mundo, a gente tem que fazer nosso trabalho chegar até eles.

 

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Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho? 

PRIMEIRAMENTE, conheçam a campanha do Catarse para o livro impresso do KFGanja: https://www.catarse.me/kung_fu_ganja_vol_1_d2b9

 

Leitura da HQ: Português: www.kungfuganja.com

Inglês: http://www.webtoons.com/en/challenge/kung-fu-ganja/list?title_no=73147

 

Meus trabalhos de pintura: https://www.facebook.com/pinturarelampago/?ref=bookmarks

 

Projeto de reflorestamento: https://www.facebook.com/reflorestamentocalil/

 

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Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.