ENTREVISTA COM BIRA DANTAS, AUTOR DE TATU-MAN

O Bira Dantas  é um dos artistas que estarão lançando seu SketchBook no evento SketchCon II promovido pela Editora Criativo.

SketchCon II será no dia 19 de novembro, das 11h às 18h, no Jazz Restô e Burgers (Largo Dona Ana Rosa, 33 – Vila Mariana, ao lado do Metrô Ana Rosa), em São Paulo/SP.

Marque presença no evento para conhecer o Bira e mais de 50 artistas que estarão autografando seus livros e pôsteres, e vendendo prints e artes originais.

 

Para conhecer mais sobre a artista e sobre o seu lançamento, realizamos uma breve entrevista. Confira!

 

 

Conte-nos sobre o que encontraremos no seu álbum.

Exatamente tiras com histórias que continuam, como no início dos Quadrinhos estadunidenses, publicados em jornais. Em alguns momentos tive ajuda do aluno Uenderson Mendes (desenhos), da minha filha Thais Araújo (cores digitais), Djota Carvalho e Eloyr Pacheco (roteiros). O que não é sabido é que eu tinha preparado um outro álbum com as tiras do Tatuman pra ser publicado pela editora Criativo. Neste álbum eu escolhi as melhores aventuras sem ordem cronológica e as emendei com inter-títulos que as organizavam por temas: o encontro com El Eternauta (de Oesterheld). Dick Tracy (de Chester Gould), a Conferência de Quadrinhos na Coréia do Sul, TEX (de Bonelli e Galep), o Festival de Quadrinhos de BH e a primeira aventura dele com o Benjamin Peppe (de Paulo Miguel dos Anjos). Estava prontinho quando meu Macintosh deu pau e perdi tudo, inclusive as tiras já escaneadas. Tive que começar do zero e garimpar tudo de novo nos e-mails que enviei pro jornal, anos atrás. Depois dessa trabalheira, resolvi colocar as tiras na sequência cronológica. E inclui duas aventuras nunca publicadas em jornal: com Benjamin Peppe e a Agente Laranja (do André Carim).

Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?

Sem dúvida As aventuras de Nhô Quim (Angelo Agostini), Asterix de Uderzo e Goscinny, Brucutu e Tereré. Mas no campo das caricaturas e cartuns: Henfil, Ziraldo, Laerte, Lan, Paulo e Chico Caruso.

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Tatu-Man?

O Tatu-man foi criado em 2008, publicado em tiras diárias no jornal de Campinas Correio Popular, de 2010 a 2013. Sempre gostei de anti-heróis, os heróis azarados. Personagens mais à margem, como Agente 86 (Stern & Melnick), Pena das Selvas (Disney), Louco (MSP), Overman (Laerte) e o Kick-Ass (Mark Millar & John Romita Jr). Minha ideia era criar desventuras de um personagem tipicamente brasileiro, na base do bom-humor. Mas ele ficou na gaveta por dois anos. Em 2010, recebi um convite do Correio Popular de Campinas para publicar uma tira diária. Eles queriam uma proposta que agradasse a toda família e, quando apresentei a ideia do personagem, eles gostaram. Mas frisei que não teria piadas diárias com começo, meio e fim. A historinha iria seguir até o assunto se esgotar. Daí fiz as 30 primeiras tiras pra eles sentirem o personagem e comecei a publicar. Minha filha pintava minhas tiras diárias do Tatuman. Eu pagava 10% do que ganhava por mês. Um grupo de jornalismo da PUC veio me entrevistar e aproveitaram para entrevista-la também. Quando eles saíram ela me disse: “Agora que sou famosa, você pode aumentar para 50%?

Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Tatu-Man?

Paralelamente ao Tatu-man, eu tinha meu trabalho de chargista sindical, caricaturista do Blog do TEX-Portugal e ilustrador de agências de design. Faço uma charge em 30 minutos, uma ilustração em 1 hora, uma tira em 1 hora e meia. Então quando as tiras começaram a ser publicadas, minha produção era devorada muito rápido, tinha dia que eu fazia 3 tiras e pensava “Uau, estou tranquilo.” Passava 2 dias e eu estava apertado de novo. Além disso ainda produzi adaptações de literatura em Quadrinhos como O Ateneu pra Escala Editorial. Era puxado.

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?

Falta gente com dinheiro e com interesse em comprar Quadrinhos. Nosso povo tem sido alvo de golpe atrás de golpe, primeiro foi na democracia, depois nos direitos trabalhistas, agora na aposentadoria. Depois de golpearem o nosso presente, estão golpeando nosso futuro.

Com crise econômica, não tem mercado que se consolide. O Boom que vimos no mercado de publicações de HQs está se desmanchando pouco a pouco. Sinto que vendemos Quadrinhos pra gente mesmo. Temos que voltar a ganhar o grande público.

Os programas governamentais ajudaram bastante. Muitas editoras se interessaram em editar Quadrinhos com isto em vista. Os programas culturais como o ProaC-SP também são importantes. Mas estamos falando de tiragens reduzidas, de mil a cinco mil exemplares. São álbuns autorais maravilhosos, mas que não fazem diferença quando se pensa nos Quadrinhos como mass-media. Nos anos 70, 80, revistas em Quadrinhos tinham tiragens de 60 mil exemplares, Chiclete com Banana chegou a 110 mil exemplares. Hoje, o único quadrinho relevante como algo popular e massivo, são as revistinhas do Mauricio de Sousa. A Abril que teve um departamento de HQ poderoso, hoje está capenga. Não morreu, mas não é o que era há 10 anos. O mercado de Quadrinhos está mudando no mundo todo. Mesmo assim, não dá pra comparar um artista daqui com um japonês, francês ou estadunidense.

 

Qual a dica que você pode dar para outros autores?

Estudar muito o assunto que você vai abordar. Não escrever banalidades ou lugares-comuns, chavões, a não ser que faça parte da piada. Mesmo no humor, a gente tem de ser bem sério… Se vai fazer uma HQ sobre povos indígenas, pesquise. Capriche no que está fazendo, mesmo que seja um projeto colaborativo, tente fazer o seu melhor e na próxima, tente melhorar mais. A insatisfação leva ao aperfeiçoamento, a satisfação leva à acomodação.

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?

Nos meus Blogs e Facebook:

http://chargesbira.blogspot.com.br

http://caricasdobira.blogspot.com.br

https://www.facebook.com/biradantascartunista/

 

O SketchBook do Bira está em Pré- Venda até o dia 18 de novembro de 2017, para adquirir o seu exemplar é só CLICAR AQUI!

E marque na sua agenda: SketchCon II será no dia 19 de novembro, das 11h às 18h, no Jazz Restô e Burgers (Largo Dona Ana Rosa, 33 – Vila Mariana, ao lado do Metrô Ana Rosa), em São Paulo/SP.

Confirme a sua presença CLICANDO AQUI!



Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.