EDGAR ALLAN POE ENCONTRA O FOLCLORE BRASILEIRO EM CARNIÇA, HQ DE RODRIGO RAMOS E MARCEL BARTHOLO

Inspirados nas obras de Edgar Allan Poe e David Cronnenberg, os autores recontam a lenda do corpo-seco, um dos mais tradicionais mitos folclóricos brasileiros.

 

“Apesar do elemento sobrenatural, Carniça é um retrato cru e terrível da nossa realidade”.
– Juscelino Neco, autor de Matadouro de Unicórnios e Parafusos, Zumbis e Monstros do Espaço.

 

CARNIÇA, HQ de Rodrigo Ramos (Medo de Palhaço, Narrativas do Medo) e Marcel Bartholo (Por Trás das Sombras, Insubstituível) traz elementos inspirados na obra do escritor Edgar Allan Poe e do cineasta David Cronenberg para recontar a lenda do corpo-seco – um dos mais tradicionais mitos do folclore brasileiro.

Carniça é a primeira história em quadrinhos escrita por Rodrigo Ramos, editor e responsável pela seção de quadrinhos do site Boca do Inferno, o maior e mais completo site sobre o gênero terror na América Latina.

“A história foi escrita para uma coletânea, mas gostamos tanto da ideia que decidimos lança-la de maneira independente. Peguei elementos de diversos contos do Poe e misturei com a lenda do corpo-seco tentando trazer aquele clima de desespero e pesar dos seus contos. Tem também uma pegada de body-horror meio David Cronenberg que faz o link entre os dois elementos.” – diz Rodrigo.

Para traduzir a história em imagens, o quadrinista Marcel Bartholo, indicado ao troféu HQ MIX 2017, se inspirou no famoso quadro Retirantes de Cândido Portinari.

“Quando li o roteiro de Carniça, a imagem dos retirantes de Portinari veio claramente como inspiração, unida a uma carga pesada de Nanquim “trash”. Pensei numa evolução ao meu traço utilizado em “Insubstituível”, estilizando mais, experimentando diagramações e trabalhando de maneira tradicional, com lápis, mesa de luz, bico de pena e pincel, usando uma colorização digital com uma paleta extremamente limitada.” – explica Marcel.

Carniça tem 20 páginas totalmente coloridas no formato europeu (21 x 28 cm) em papel couchê fosco. O lançamento oficial ocorre no IV Festival Boca do Inferno, que acontece nos dias 25 e 26 de novembro na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Bom Retiro em São Paulo. Depois disso seguirá o circuito de eventos de quadrinhos em 2018.

 

 

SINOPSE:

O sertanejo Jonas convive com seus próprios demônios e um forte cheiro de carniça que o persegue como a constante lembrança de um antigo crime. Quanta culpa um homem pode suportar até que seus pecados passem a consumi-lo psicológica e fisicamente? Inspirados nas obras de Edgar Allan Poe e David Cronenberg, Rodrigo Ramos (Medo de Palhaço, Narrativas do Medo) e Marcel Bartholo (Insubstituível, Por Trás das Sombras) recontam a lenda do corpo-seco, um dos mais tradicionais mitos folclóricos brasileiros.

 

SOBRE OS AUTORES:

Marcel Bartholo, carioca “paulistado”, pós-graduado em Artes Visuais-Cultura e Criação, Ilustrador, quadrinista e artista plástico, é professor de desenho em Sorocaba (SP), ministra oficinas de desenho e criatividade. Sócio fundador do Estudio Ideaboa, organiza o Ilustradoria – Encontro Ilustrado, evento voltado para os admiradores e profissionais do desenho. Fanático pela literatura de terror/horror, acredita na arte como forma de vencer todos os medos.

Rodrigo Ramos é designer, especializado em Marketing Farmacêutico, e desde 2010 atua como editor responsável pela sessão de quadrinhos no portal Boca do Inferno, o maior e mais completo site da América Latina sobre o gênero fantástico. Em 2016 lançou Medo de Palhaço, junto de outros membros do Boca do Inferno, pela editora Generale e em 2017 estreou na ficção com o conto Penitência para a antologia Narrativas do Medo pela editora Autografias.

 

CARNIÇA

Roteiro: Rodrigo Ramos
Arte: Marcel Bartholo
Formato: 21 x 28 cm
24 páginas coloridas

MAIORES INFORMAÇÕES:

https://www.facebook.com/CarnicaHQ

https://www.facebook.com/IlustradorBartholo

https://www.facebook.com/TheRodrigoRamos

 

Para descobrir mais sobre a obra e sobre os autores, realizamos uma breve entrevista, confira!

 

 

Quais são as suas principais influências (obras e autores que lhe inspiram)?
Como consumo terror desde criança, nas mais variadas vertentes, acabei absorvendo um pouco de tudo. Na literatura, Lovecraft e Poe são os principais, Jamie Delano, Warren Ellis e o pessoal da EC Comics nos quadrinhos, mas é no cinema mesmo que a lista não termina! Tem David Cronenberg, j-horror, Universal, Hammer e, é claro, nosso grande mestre, o José Mojica Marins! Se eu conseguir absorver 0,001% do trabalho destes caras, já estou satisfeito.

 

De onde surgiu a ideia e como foi o processo de criação do universo e personagens de Carniça?
A HQ começou como uma proposta de roteiro para uma coletânea sobre Edgar Allan Poe. A ideia era transportar aquele universo de culpa e morte do autor para o Brasil e como considero nossos mitos e lendas fontes inesgotáveis de histórias de terror, resolvi cruzar as referências para compor algo novo. A lenda do corpo-seco se encaixou perfeitamente no que eu estava querendo contar e aí a história surgiu. Apresentei o plot pro Marcel Bartholo, e ele se propôs a ilustrar a HQ. Então começamos a buscar algumas referências visuais para o projeto e o quadro Os Retirantes, do Portinari, traduzia exatamente aquele clima de desespero que buscávamos. Boa parte da identidade visual da HQ partiu daí.

 

Sabemos que o mercado de quadrinhos nacional é complicado, e por isso, nós autores temos que manter o equilíbrio entre o trabalho de quadrinista e outras responsabilidades. Como foi a sua rotina durante a criação de Carniça?
Exato! A gente produz porque gosta. Produz porque quer fazer parte desse universo pelo qual somos apaixonados. Queremos deixar a nossa marca. Eu trabalho normalmente como designer durante o dia e, por alguns meses à noite, me dediquei a escrever o roteiro de Carniça. Depois disso, quando Marcel assumiu a fase das artes, trocávamos ideias diariamente buscando o melhor para esse projeto. Carniça foi meu segundo turno. Depois veio a produção de releases, envio para a imprensa e, finalmente, o lançamento! É meu primeiro projeto nos quadrinhos e estou bem empolgado e nervoso. Mas já tenho metas de produzir uma HQ por ano. É um caminho sem volta.

 

O que você acha que falta para o mercado de quadrinhos nacionais se consolidar?
Até pouco tempo atrás, faltava uma vitrine. Então vieram os grandes eventos como a CCXP, plataformas como o Catarse, novas editoras investindo em material nacional e isso já é mais da metade do caminho andado. O que falta mesmo é o leitor perder o preconceito e procurar coisas novas. Mas isso só vem com o tempo. O cara vai começar lendo super-herói e, depois de um tempo, vai enjoar e começar a procurar coisas novas. E agora já sabemos onde procurar. Quando a procura for maior, a produção vai aumentar e talvez os artistas sejam reconhecidos por seus trabalhos e possam se dedicar 100% aos quadrinhos. Aí sim teremos um mercado sustentável e consolidado.

Qual a dica que você pode dar para outros autores?
Eu sou novo neste meio e sempre quis produzir alguma coisa, mas tinha medo de expor meus trabalhos, botar a cara à tapa para ser lido e avaliado. Eu produzia contos e histórias em quadrinhos que nunca viram a luz do dia. Se eu posso dar uma dica que funcionou comigo é “perca o medo”. Vai lá e faz. A cada novo projeto você só vai melhorar. Mete as caras e produza, envie pra imprensa, peça dicas e feedbacks de quem já é da área e nunca pare de produzir. É assim que se fica bom. Seja nos quadrinhos ou em qualquer área em que você atue.

Por onde os leitores podem acompanhar o seu trabalho?
Vocês podem me encontrar no site www.bocadoinferno.com.br, onde sou responsável pela sessão de quadrinhos com notícias, artigos e críticas. Para acompanhar as novidades sobre Carniça, é só curtir a página da HQ no Facebook, https://www.facebook.com/CarnicaHQ e o Marcel Bartholo, meu parceiraço nesse projeto pode ser acompanhado através da página dele https://www.facebook.com/IlustradorBartholo/.



Bruno Vieira Written by:

Fundador da Craft Comic Books e da Craft Autors.